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Festas Populares e Religiosas

CARNAVAL BRASILEIRO
O mês de fevereiro, no Brasil, é sinônimo de festa. É Carnaval, a festa em que, sob máscaras e fantasias, o brasileiro se revela em sua essência: alegre, criativo, musical e irreverente.

Oficialmente o Carnaval brasileiro começa num domingo e termina em uma terça-feira, quase sempre de fevereiro. (A data da festa varia de acordo com o calendário católico-apostólico-romano, já que ela acontece 40 dias antes da Páscoa).

Durante esses três dias o país se fantasia de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Mas em alguns lugares a tradição é mais forte. Os festejos oficiais se estendem por mais de uma semana, sem contar as chamadas “prévias”, que acontecem ao longo de praticamente todo o verão. E apesar de terem sempre a mesma essência, as festas de Carnaval têm características próprias em cada lugar do país.

CARNAVAL DE RECIFE E OLINDA
No sábado que antecede o Carnaval, Recife acorda cedo. E é uma cidade habitada por bailarinas, palhaços, Ets, pierrots e colombinas. Mal o dia clareia, uma procissão de alegres loucos surge de todos os cantos em direção ao centro da cidade para engrossar o maior bloco carnavalesco do mundo.

Às sete horas da manhã, os metais soam os primeiros acordes do frevo. São 12 notas que ecoam, contagiantes, pela multidão. Quase um milhão de pessoas dançam com o Galo da Madrugada, o maior símbolo (literalmente) do Carnaval pernambucano.

O Carnaval de Pernambuco é, sem dúvida, um dos mais animados e certamente o mais democrático do país. É uma festa de rua para todas as idades: velhos, moços, adultos, crianças, todos desfilam suas fantasias pelas ladeiras de Olinda e pelas ruas estreitas do Recife Antigo.

O frevo, ritmo que embala a festa, tem versões para todos os gostos. Orquestras de cordas e metais executam as músicas mais lentas e compassadas. Normalmente saem pela manhã arrastando os mais velhos e as crianças. A medida que o dia passa, o ritmo do frevo se acelera, ganha mais percussão e até se confunde com o maracatu, outra forma de expressão ritmico-musical característica do Carnaval pernambucano.

Representação festiva dos séquitos que acompanhavam os reis de congos (lideranças eleitas pelos escravos) na cerimônia de coroação, “representantes” da nobreza e dos índios desfilam nos maracatus, ao som de uma orquestra de tambores, chocalhos e agogôs, vão à frente rei, rainha, príncipes, damas e embaixadores. O rei usa um enorme chapéu-de-sol colorido, adornado de franjas e circundado de pequenos espelhos - o que, segundo estudiosos, é um elemento da cultura árabe, típico da África Setentrional.

CARNAVAL DE SALVADOR
O povo também lota as ruas de Salvador para brincar o Carnaval. Na capital baiana, o som que prevalece é o dos trios-elétricos, enormes caminhões transformados em palcos, que emitem, em muitos megawatts de potência, o som contagiante da “axé-music”.

Tanto os trios-elétricos como a axé-music são invenções tipicamente baianas que se popularizaram em todo o Brasil, arrebatando especialmente os jovens. E são multidões deles que, durante o carnaval, percorrem as ruas de Salvador cantando e dançando atrás dos caminhões. Cada trio-elétrico “puxa” um bloco, cujos integrantes vestem uma mesma fantasia (o abadá) e dispõem de todo conforto e segurança para brincar.

Mas a raiz negra da cultura baiana fica totalmente exposta nos desfiles carnavalescos dos grupos afro. Eles soam seus tambores a partir do Pelourinho - sede e local de concentração do Olodum - ou da Cidade Baixa, de onde vêm os elegantes Filhos de Ghandi e o os orgulhosos integrantes do Ilê Ayê - para a alegre confraternização no caldeirão cultural da Praça Castro Alves, coração do Carnaval baiano.

CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO
Quem conhece não contesta. Quem nunca viu não duvida. O desfile das escolas de samba, o apogeu do Carnaval carioca, é o maior show da terra. São milhares de pessoas executando uma fantástica ópera de rua, com enredo, cenário, personagens principais e figurantes, música, orquestra, solista, coro e fantasia. Muita fantasia. A fantasia levada ao extremo.

Tão importante para a cultura carioca, o desfile das escolas de samba ganhou lugar próprio, o “Sambódromo”. É o que se poderia considerar um teatro, com espaço para a apresentação do espetáculo e para a platéia. Mas um teatro de formato todo peculiar, de 800 metros de extensão, por onde desfila o espetáculo.

O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro envolve um batalhão de pessoas durante todo o ano. No “top” de linha estão os “carnavalescos”, uma categoria de profissionais supergabaritados, extremamente criativos e bem remunerados, criada em função da festa carioca. Eles se dedicam a imaginar, a conceber o desfile. São assessorados por um “staff” de músicos, letristas, pesquisadores, coreógrafos e desenhistas e mais um punhado de profissionais de criação, técnicos e executores.

Mas o que faz realmente a festa são os milhares de integrantes das escolas, seus passistas - homens e mulheres cujos corpos parecem movidos por perfeitas engrenagens acionadas pelo toque repenique do pandeiro, do atabaque, da cuíca, por cada instrumento ou pelo uníssono balanceado dos mais de 100 percussionistas. São as velhas “baianas”, presença obrigatória de homenagem e reverência às sábias matriarcas. É cada um que queira estar na passarela do samba. Isso mesmo: a participação é aberta a quem queira comprar uma fantasia e estar no centro das atenções da festa.

Mas as arquibancadas e camarotes do Sambódromo também são total e pleno Carnaval, de animação e beleza. Fora do Sambódromo, o Carnaval carioca é animado pela bandas e blocos que desfilam especialmente pelas ruas da zona sul da cidade, como a Banda de Ipanema, o Simpatia é quase Amor e o Suvaco de Cristo, onde o carioca tem a oportunidade de externar toda a sua alegria e irreverência.

CÍRIO DE NAZARÉ
O Círio de Nazaré é uma das maiores manifestações religiosas do país. Durante 15 dias do mês de outubro, em Belém, capital do estado do Pará, milhares de pessoas demonstram sua fé homenageando a imagem da padroeira Nossa Senhora de Nazaré. O ponto alto do evento é a grande procissão que acontece no segundo domingo do mês, quando a multidão de romeiros pagam suas promessas, muitos dos quais descalços, vestindo mortalhas e carregando grandes cruzes e outros objetos referentes às graças que alcançaram. Durante quatro horas, no percurso de 2,5 quilômetros entre a Catedral da Sé e a Basílica, os fiéis, vindos de todo o país, e mesmo do exterior, pagam suas promessas e buscam uma maior união com a santa disputando um pedaço da extensa corda presa ao carro onde está o santuário com a imagem de N. S. de Nazaré. Enquanto isso, outras milhares de pessoas nas janelas das casas e edifícios e das arquibancadas montadas para o evento louvam a passagem do desfile, soltando fogos de artifício e fazendo uma chuva de papel picado. Durante as comemorações, o Círio de Nazaré chega a atrair perto de 2 milhões de pessoas.

Todo o ciclo de festividades é marcado pela representação do milagre que deu origem ao Círio. Em 1700, um humilde caboclo, Plácido José de Souza, achou a imagem de N.S. de Nazaré nas margens no igarapé Murutucu e a levou para sua casa. No dia seguinte, deu por falta da santa, encontrando-a no mesmo local onde fora achada. Esse fato repetiu-se diversas vezes. O governador da província, mandou então, que a imagem fosse mantida no palácio sob forte vigilância. Mas de nada adiantou. No outro dia, no mesmo igarapé, estava a representação de Nazaré. Isso motivou a construção de uma ermida no local, onde fica hoje a Basílica, e a padroeira começou a ser adorada pela população que recebia seus milagres. O primeiro Círio de Nazaré aconteceu em 1793.

Assim, no sábado anterior ao grande dia é feita uma procissão noturna, a Trasladação, entre as margens do igarapé, onde fica a capela do Colégio Gentil Bittencourt, até a Catedral. No domingo, a imagem é levada de volta para a Basílica de Nazaré. Lá chegando é rezada missa e a santa ficará exposta ao público até o final das festividades, que acontece dois domingos depois, com a procissão do Recírio. Nesse dia, é devolvida à capela do colégio. Ainda no sábado de véspera é realizada, pela manhã, a romaria fluvial entre Icoaraci e o Colégio Gentil, da qual participam centenas de embarcações.

As comemorações do Círio são feitas também de uma série de outros eventos, que começam na sexta-feira anterior ao domingo principal. Nesse dia é apresentado o Auto do Círio, uma representação teatral de rua. Há também tradicionais festas não religiosas que animam a cidade. No sábado acontecem o Arrastão da Pavulagem, do qual tomam parte grupos representantes da cultura popular paraense, e a Festa da Chiquita, com apresentações de música e poesia, em uma irreverente festa cultural.

FESTA DE IEMANJÁ
Em toda a orla da Bahia, dia 2 de fevereiro é dia de festa no mar. Como cantou um dos mais famosos compositores e poetas baianos, todos, naquela terra sagrada, querem saudar Iemanjá. No seu dia, esse orixá das águas salgadas recebe oferendas, homenagens e súplicas, num ritual de beleza emocionante que mobiliza comunidades inteiras.

A mais famosa Festa de Iemanjá é a que se realiza em Salvador, no bairro do Rio Vermelho. As senhoras de Candomblé (culto africano com muitos adeptos na Bahia), vestidas com suas baianas típicas, levam oferendas para Iemanjá em barcos, todos enfeitados, que são colocados nas águas pelos homens, ao som de cânticos e orações.

Terminado o ritual religioso, o que, aliás é uma característica do Candonblé, a festa prossegue de forma, vamos dizer, profana. Com muita dança, música, comida e bebida nas barracas padronizadas que se espalham pela praia agregando uma verdadeira multidão. Isso é o que na Bahia se chama “festa de largo” - na verdade uma festa de rua - onde se celebram datas religiosas e cívicas, depois das comemorações oficiais.

FESTA DE SÃO JOÃO de CAMPINA GRANDE
O “Maior São João do Mundo” acontece todos os anos em Campina Grande, cidade do interior da Paraíba. Durante o mês de junho, milhares de pessoas, entre campinenses e turistas de todo o Brasil, participam de uma festa animada pelo autêntico forró pé-de-serra e quadrilhas. O Parque do Povo se transforma em um enorme salão de baile ao ar livre decorado com bandeirolas e fogueiras. Barracas instaladas em réplicas de construções antigas oferecem pratos típicos e artesanato local. No mesmo local, o Sítio São João reproduz uma propriedade típica do sertanejo paraibano.

FESTA DE SÃO JOÃO de CARUARU
O principal evento do agreste pernambucano começa todos os anos no final de maio e dura todo o mês de junho. É a Festa de São João de Caruaru, a Capital Brasileira do Forró. Cerca de um milhão de pessoas participam das festividades. Muito forró, xote e baião com artistas regionais e nacionais atraem multidões para o Parque de Eventos Luís Gonzaga, onde são instalados restaurantes, bares e infra-estrutura para atender os forrozeiros. Ao mesmo tempo, apresentam-se quadrilhas com milhares de participantes, carros alegóricos e grupos folclóricos como bacamarteiros, bandas de pífanos e o teatro de mamulengos. E enormes quantidades de fogos de artifício iluminam o céu. Nesses dias se preparam guloseimas imensas: o cuscuz, o pé-de-moleque e a pamonha maiores do mundo. Barracas de comidas e artesanato típicos são espalhados pela cidade. Uma grande fogueira com 12 metros de altura marca o último dia de festa.

FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS
Essa é a história representada pelo grupos de boi-bumbá ou bumba meu boi, variações mais comuns do nome dessa manifestação folclórica. É fácil identificar nelas componentes de várias culturas, como a ibérica e a árabe. Mas elas se agregam à cultura indígena, que dá as mais fortes características do folguedo, considerado a maior festa popular amazônica.

O boi é representado, durante todo o mês de junho, em todos os estados amazônicos como parte das festejos juninos - mais animados, no norte do país, do que o próprio Carnaval. Mas foi em Parintins que a festa ganhou maior projeção, com a realização do Festival Folclórico de Parintins. Ele atrai milhares de visitantes de todo o Brasil e de várias partes do mundo para a pequena cidade amazonense às margens do rio Amazonas, próxima à divisa com o Pará.

A beleza exuberante e exótica da região já justifica visitar o festival folclórico de Parintins. Chega-se até a cidade de barco, numa viagem que demora em média 24 horas de ida, a partir de Manaus, e 36 horas de volta, navegando contra a correnteza do Amazonas. As agências de turismo especializadas trabalham com embarcações de muito conforte e segurança, requisitos essenciais especialmente porque o mais comum é os visitantes ficarem hospedados no próprio barco, já que a cidade não dispõe de acomodações para tanta demanda.

Durante os primeiros dez dias de festival, apresentam-se vários grupos folclóricos, com suas representações de lendas ao som de toadas e cantos indígenas, teatralizações de rituais, fantasias, figuras engraçadas e curiosas do imaginário da região.

A apoteose acontece entre os dias 24 e 26 de junho, quando se apresentam as grandes atrações da Festa, os bois Garantido e Caprichoso. Há décadas eles, e só eles, disputam a condição de melhor boi de Parintins. E quem escolhe é o público, que se divide entre o vermelho (cor do Garantido) e o azul (símbolo do Caprichoso). Ganha quem mais fizer vibrar a platéia. Razão pelo qual os grupos não poupam esforços nem economizam animação.

NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES
Um bom exemplo do que é o Brasil, um país de uma riqueza e de uma diversidade cultural inacreditáveis. O mesmo dia 2 de fevereiro em que a Bahia homenageia o orixá Iemanjá, os sulistas - especialmente gaúchos e catarinenses - consagram a Nossa Senhora dos Navegantes, a protetora dos pescadores e viajantes dos mares, rios e lagoas.

A maior festa para Nossa Senhora dos Navegantes acontece em Porto Alegre. Afinal, a Santa é padroeira da cidade, que pára em feriado oficial para reverenciá-la.

Acorrem para o rio Guaíba todas as embarcações que estão pela região, e lá se perfilam numa enorme procissão aquática atrás do barco que desfila próximo às margens da cidade, levando a imagem da Santa.

OKTOBERFEST
Ela veio pronta e acabada da Alemanha. Como vieram os imigrantes para as colônias agrícolas, que trouxeram o gosto pela cerveja e os segredos da fermentação e de defumação.

A Oktoberfest de Blumenau é, em tudo, semelhante à Oktoberfest de Munique. Não é sequer difícil ouvir pela rua os sons das sílabas marcadas e erres guturais arranhados na garganta da língua de Goethe, falada por muitos dos habitantes da região e visitantes, que aproveitam a oportunidade para matar as saudades.

Mas é mesmo a cerveja na caneca e muita animação a combinação que chega a mobilizar mais de dois milhões de turistas e legiões de amigos de Baco para o interior de Santa Catarina durante todo o mês de outubro. Roupas, músicas, danças e comidas típicas completam a celebração que dura de três a sete dias, conforme a cidade.

A Oktoberfest é a mais famosa e mais antiga festa da cerveja de Santa Catarina. Mas há comemorações semelhantes também em Brusque (Fenarreco), em Joinville (Fenachopp), em Itajaí (Marejada), em Jaguará do Sul (Schützenfest), em Rio do Sul (Kegelfest), em Treze Tílias (Tirolerfest) e em São Bento do Sul (Musikfest).

PASSAGEM DE ANO NO RIO DE JANEIRO
A larga faixa de areia da Praia de Copacabana fica coberta por uma compacta massa humana. O mar fica salpicado pelas luzes de lanchas, iates e todo tipo de embarcação. É uma das mais belas e emocionantes cerimônias de confraternização do planeta.

Pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais, de todas as religiões e de todas as culturas se aproximam, se aconchegam e olham para o céu para saudar em festa a passagem de um novo ano.

O brilho e a beleza dos fogos de artifício, que explodem em cores e formas por mais de 10 minutos, parecem iluminar os semblantes e transmitir otimismo e esperança em dias melhores. Iemanjá, a rainha do mar, divindade do Candomblé, abençoa a noite. É em sua homenagem que o povo veste branco e oferece flores por dias melhores.

Os que crêem tocam atabaques, dançam e cantam evocando seus poderes protetores de mãe. Os que não crêem... Não há! Parece que, na festa da virada do ano em Copacabana, todos acreditam na paz.

PROCISSÃO DO FOGARÉU em GOIÁS
Manifestação religiosa tradicional que se repete todos os anos à meia-noite da quarta-feira da Semana Santa na cidade de Goiás. Os farricocos, homens empunhando tochas acesas e vestidos com longas túnicas coloridas percorrem as ruas da cidade simbolizando os soldados romanos no episódio da prisão de Jesus Cristo antes da crucificação. Atrás, vão os fieis também levando tochas. As luzes da cidade são apagadas e ouvem-se os tambores ritmados. Durante as comemorações da Semana Santa, a cidade recebe milhares de visitantes. Outros ventos se sucedem. Na quinta-feira, é realizada a Missa do Lava-Pés. Durante a Sexta-Feira é feita a representação teatral da Paixão de Cristo ao ar livre.


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