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Projeto Cara Brasileira. Os pressupostos
do projeto
Agregar a identidade a identidade cultural a produtos e serviços
é uma estratégia utilizada em vários países
(Itália, França, México, entre outros).
O Brasil tem uma identidade cultural rica, muito estudada e comentada.
No entanto, pouco se utiliza esta identidade para se fazer negócios,
como estratégia de país.
As vantagens para os pequenos negócios
As pequenas empresas são as que mais podem se beneficiar
dessa estratégia - fator humano. As micro e pequenas empresas
estão genuinamente detentoras de uma autenticidade. Elas
estão imersas em um riquísssimo e diversificado
patrimônio cultural.
As ações do projeto contemplam três
idéias norteadoras:
a) território e territorialidades: inclui-se a idéia
dos Arranjos Produtivos Locais (APLS), os Projetos Regionais ou
mesmo uma dimensão municipal.
b) a idéia de tipicidades: daquilo que é específico,
particular ou típico de um local. Refere-se aos atributos
de um território, os sistemas produtivos tradicionais,
símbolos, ritos, mitos, arquétipos, etc.
c) estratégias com vistas a inserção nos
mercados dos produtos originários de APLs, cadeias e setores
produtivos (Sistemas de Certificação de Origem,
indicação geográfica, marketing territorial
e de produtos).
Dois aspectos são fundamentais na ação
do cara brasileira:
a) Valorização/fortalecimento das identidades culturais
como estratégia de criação da auto estima
e da criação e/ou fortalecimento do sentimento de
pertencimento a um local, território, APLs.
b) Agregar valor aos produtos, serviços e ao formato de
negócios, diferenciar destinos turísticos e em diversos
setores produtivos (móveis, têxtil, agronegócios,
etc.), que evidentemente possam se distingüir a partir de
valores da cultura local.
O que é o projeto Cara Brasileira?
Trata-se de uma área de conhecimento, uma referência
conceitual e inspiradora para as ações nos setoriais,
nos projetos regionais e nos territórios e APLs.
As ferramentas
Mapeamento ou estudos das referências culturais características
de um espaço.
Temático: área de ocorrência de determinado
produto ou prática cultural e todo o sistema de bens culturais
associados, como por exemplo a pesca comercial, a industrialização
do pescado, a pesca esportiva e o turismo.
Étnico: o patrimônio cultural de um povo, considerando
ou não a sua territorialidade, como é por exemplo
o caso das variantes culturais afro-descendentes nas Américas.
Iconográfico: diz respeito aos ícones, a uma representação
por meio de imagens dos ícones representativos de um dado
lugar, território, espaço delimitado. Com essa ferramenta,
é importante estar atento às seguintes colocações:
- Design
A utilização do design como valor agregado é
uma tendência no mercado mundial que aposta no produto singular,
único, exclusivo, étnico ou enraizado.
Essa ferramenta pode ser utilizada para as embalagens, rótulos,
sinalização de destinos, criação de
produtos e artefatos, na diferenciação pontual do
artesanato, na arquitetura e ambiente, na moda, nos transportes,
nos utensílios, entre outros como solução
possível para se desenvolver produtos com forte identidade
e linguagens próprias, adaptados às novas necessidades
de mercado.
- Certificação de Origem/Indicação
Geográfica
Instrumento jurídico que pode ser utilizado por pequenos
produtores para valorização de produtos locais,
artesanais, biológicos, em oposição à
grande indústria alimentar, gigante, distante e impessoal.
No Brasil, trata-se de uma ferramenta ainda pouco utilizada.
Mas existem iniciativas localizadas, algumas empresas certificadoras
e uma Legislação, com o INPI sendo o responsável
pelo registro de nomes, marcas, patentes etc.
Diretrizes
Identificar os fazeres, saberes, costumes e tradições
locais, visando a criação e diferenciação
de destinos turísticos, com foco na hospitalidade, resgate
da gastronomia, tematização de roteiros e equipamentos
turísticos.
Pesquisar e utilizar o tipo de matéria-prima, identificando-a
enquanto específica do lugar.
Identificar a confluência simbólica dos produtos
e serviços para produzir o design.
Explicitar o estilo da cultura de cada local ou território,
representado nos produtos, serviços e espaços.
Buscar a inovação no mix de produtos a partir dos
conteúdos simbólicos, formas de trabalho do lugar
e modalidades de venda.
Articular o tradicional e o inovador nos métodos de trabalho,
produzindo por meio da confluência de símbolos o
design para produtos e embalagens, assim como as certificações
de origem.
Considerar na construção de cada produto ou serviço
a rastreabilidade ecológica e cultural, agregando o valor
que ultrapasse o produto industrializado.
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